Tudo que você precisa saber sobre cálculo na vesícula

Ana Beatriz Sacerdote • September 12, 2024

Leia aqui tudo que é necessário saber sobre cálculo na Vesícula Biliar, a chamada COLELITÍASE

No texto de hoje vou falar um pouco sobre um problema de saúde muito comum, conhecido como cálculo ou pedra na vesícula. O termo médico para essa doença é COLELITÍASE. Ela afeta em torno de 20% da população. Vou falar sobre:

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  1. O que são os cálculos
  2. Quais fatores de risco
  3. Como saber se você já tem a doença
  4. Quais os tratamentos
  5. Quais complicações pode trazer para a sua saúde
  6. Como evitar cálculos na vesícula


Clique abaixo para ver a informação sobre cada um dos tópicos!


  • O que são os cálculos na vesícula

    A vesícula biliar armazena a bile, que é produzida pelo fígado e ajuda na digestão de gorduras que ingerimos. Ela é formada por diversas substâncias, dentre elas o colesterol. Quando há desequilíbrio nas quantidades dos elementos que compõe a bile (uma superprodução de colesterol no fígado), ou quando a vesícula fica muito tempo com a bile armazenada (por dificuldades na motilidade da vesícula biliar, que é o que chamam vesícula preguiçosa), pode haver o surgimento desse cálculos. A grande maioria dos cálculos é formada principalmente de colesterol (90-95%).

  • Quais fatores de risco?

    • Obesidade/ IMC (índice de massa corpórea) elevado – é um fator de risco tanto para ter os cálculos quanto para que esses cálculos causem dor (muita gente tem os cálculos mas não sente nada).
    • Sexo feminino
    • Uso de análogos da somatostatina (medicamentos usados para tratamento de tumores neuroendócrinos)
    • Pacientes em internamento hospitalar que fazem uso de Nutrição parenteral total (mas esses cálculos podem desaparecer após retorno da dieta oral)
    • Dietas muito restritivas que levam a perda de peso muito rápida (perda maior que 1,5kg/semana), o que também leva a um maior risco de gordura no fígado
    • Terapia de reposição hormonal
    • Sedentarismo
    • Colesterol e triglicerídeos elevados
    • Consumo de fast foods
    • Glicemia de jejum alterada (chamada pré-diabetes) e Diabetes tipo 2
    • Algumas doenças como anemia falciforme, cirrose hepática, colangite esclerosante

  • Como sei se tenho cálculo na vesícula?

    locais de dor na colelitíase

    80% dos pacientes são assintomáticos (não sentem nada), e a maioria desses vão continuar assintomáticos por toda a vida.


     As complicações que os cálculos podem causar são mais comuns em quem tem sintomas, e ocorrem numa frequência de 1 a 3% ao ano (enquanto em quem não tem sintoma ocorre em 0,1-0,3% ao ano).


    A dor causada pelo cálculo é chamada cólica biliar. É uma dor moderada, que começa geralmente de forma abrupta mas também pode começar com intensidade leve e ir aumentando dentro do período de uma hora. Dura no mínimo 15 minutos à meia hora e no máximo 5-6 horas. Ela passa espontaneamente ou com uso de antiinflamatórios ou antiespasmódicos como buscopan.


     A dor é na parte superior do abdome, do lado direito ou na região central da parte superior do abdome (veja na figura ao lado),  pode irradiar pras costas ou pro ombro direito. Pode ser associada com náuseas e vômitos. Geralmente surge em torno de 1h após alimentação (principalmente após comidas gordurosas) mas também pode ocorrer independente da alimentação,acordando o paciente de madrugada. Geralmente não é diária.


     A dor ocorre quando o cálculo ou a lama biliar (que é a bile mais espessa do que deveria), vai para o orifício de saída da vesícula biliar e “tapa” esse orifício, aumentando a pressão na vesícula biliar causando distensão.


    Dores em pontada, que passam logo ou que duram o dia todo, que melhoram ou pioram com o movimento ou com a evacuação não são características de cólica biliar.


    O exame realizado na suspeita de cálculo na vesícula é a ultrassonografia do abdome. Os exames de sangue não mostram alterações.


  • Como é o tratamento da pedra na vesícula

    A cirurgia da pedra na vesícula se chama COLECISTECTOMIA, e pode ser por vídeo (a mais comum) ou aberta. 


    Em pacientes sem sintomas, os riscos da cirurgia podem ser maiores que os riscos de ter uma complicação, portanto cada caso é discutido individualmente. 


    Exceção é feita quando a ultrassonografia evidencia “vesícula em Porcelana”, que ocorre quando a parede da vesícula encontra-se calcificada, nesse caso há indicação de colecistectomia.


     Se houver pólipos associados aos cálculos, também é indicada cirurgia independente dos sintomas.


  • Quais complicações e riscos os cálculos podem trazer para a saúde

    • Colecistite: é a complicação mais comum, ocorre em 10% dos pacientes que têm cálculo sintomático. É uma nflamação na parede da vesícula biliar, que pode infeccionar. Suspeitamos de colecistite quando a crise de dor dura mais do que 6 horas, moderada a forte intensidade. Pode ter febre associada e tem alterações em exames de sangue. Na ultrassonografia o médico vê o espessamento da parede da vesícula.Pode ser preciso o uso de antibióticos e é indicada a cirurgia (em até 72h do início) se o paciente tiver condições. A cirurgia pode ser por videolaparoscopia, mas há chance de conversão (ter que fazer a cirurgia aberta, sem ser por vídeo) em 20% dos casos. 
    • Coledocolitíase: presente em 3-16% dos pacientes com colelitíase. É quando o cálculo consegue sair da vesícula e ir para outros pontos da via biliar, em direção ao local de saída da bile no intestino. Pode necessitar de procedimentos para retirar esse cálculo e posteriormente a cirurgia.
    • Colangite: infecção da bile, além dos sintomas de colecistite o paciente pode ter icterícia. É mais grave que a colecistite. 
    • Pancreatite: ocorre em 4-8% dos pacientes com colelitíase. Quando o cálculo sai da vesícula e obstrui a saída do pâncreas.

  • Como evitar pedra na vesícula

    • Estilo de vida saudável, com dieta balanceada e exercícios físicos pode prevenir cálculos na vesícula. Isso porque ajuda a controlar alguns fatores de risco, como obesidade, colesterol elevado e diabetes. Pacientes obesos têm risco maior não só de ter cálculos, mas também de ter sintomas por causa deles e precisar de cirurgia. O risco de colelitíase sintomática aumenta com o aumento de IMC, circunferência abdominal e triglicerídeos elevados.
    • Comer em horários regulares (faz com que a vesícula fique sendo esvaziada regularmente e não deixe a bile parada por muito tempo)
    • Comer frutas (principalmente as ricas em vitamina C), verduras e oleaginosas
    • A atividade física protege quanto à formação de cálculos e diminui a chance desses cálculos causarem sintomas em 30%, porque evita hiperinsulinemia, reduz triglicerídeos. Além disso, o exercício tem efeito na motilidade intestinal e da vesícula biliar, diminuindo a chance da vesícula preguiçosa.
    • Níveis elevados de HDL (colesterol bom) também são protetores (isso é conseguido também através da dieta, controle de peso)

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Introdução Receber o diagnóstico de gordura no fígado costuma ser seguido da mesma dúvida: "O que eu posso comer?" Na maioria das vezes, a orientação é apenas "melhore sua alimentação". Mas, na prática, poucos pacientes sabem exatamente o que isso significa. Qual o papel da alimentação na gordura no fígado? A alimentação é um dos pilares do tratamento da esteatose hepática. Ela influencia diretamente a resistência à insulina, o acúmulo de gordura no fígado e o risco de progressão da doença. Embora perder peso seja importante, a qualidade da alimentação também faz diferença. Existe uma dieta específica para quem tem gordura no fígado? Não existe uma única dieta capaz de tratar a gordura no fígado. A perda de peso continua sendo a principal estratégia terapêutica e pode ser alcançada com diferentes padrões alimentares. Entretanto, entre todas as dietas estudadas, uma delas reúne o maior número de evidências científicas para pacientes com esteatose hepática: a dieta mediterrânea. O que é a dieta mediterrânea? A dieta mediterrânea é um padrão alimentar tradicional de países banhados pelo Mar Mediterrâneo. Ela não é uma dieta restritiva, mas um padrão alimentar associado a diversos benefícios metabólicos, através do consumo de alimentos naturais e integrais. Essa abordagem enfatiza a ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis, proporcionando não apenas benefícios para o fígado, mas também para a saúde em geral. Apesar do nome, a dieta mediterrânea não depende de alimentos importados nem de receitas típicas da Europa. Grande parte dos seus princípios pode ser aplicada utilizando alimentos comuns da alimentação brasileira. Como seguir a dieta mediterrânea no dia a dia? Na prática, a dieta mediterrânea prioriza: vegetais em todas as refeições; frutas diariamente, em torno de 3 vezes ao dia azeite de oliva como principal gordura; Peixes são consumidos com mais frequência. Grãos integrais são preferidos. Redução do consumo de alimentos ultraprocessados e açúcares. Consumo regular de nozes e castanhas Porque a dieta mediterrânea ajuda quem tem gordura no fígado? Os benefícios da Dieta Mediterrânea na gordura no fígado vão significativamente além da perda de peso. De acordo com os principais consensos e diretrizes em hepatologia, esse padrão alimentar demonstrou repetidamente proporcionar benefícios à saúde hepática e cardiovascular mesmo na ausência de redução ponderal. Os principais benefícios que transcendem a balança incluem: Proteção Cardiovascular: Como as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pacientes com esteatose, a Dieta Mediterrânea é estratégica por reduzir o risco de eventos fatais e não fatais. Redução da Gordura Hepática e Fibrose: O padrão é eficaz na redução do conteúdo lipídico do fígado e está associado a um menor risco de progressão para fibrose avançada e cirrose. Prevenção de Câncer: A melhor adesão a esse padrão alimentar está ligada a um menor risco de desenvolver Carcinoma Hepatocelular (CHC) e outros cânceres extra-hepáticos. Melhora Metabólica: Mesmo sem perda de peso, a dieta melhora a sensibilidade à insulina e ajuda no controle de comorbidades como o Diabetes Tipo 2 e a dislipidemia. Redução da Mortalidade: Estudos observacionais mostram que este padrão reduz a mortalidade por todas as causas em adultos com gordura no fígado. Sustentabilidade: Comparada a dietas de restrição calórica severa ou dietas cetogênicas, a Dieta Mediterrânea é considerada mais fácil de ser mantida a longo prazo pelo paciente, o que é fundamental para o manejo de uma doença crônica. Esses benefícios ocorrem porque a dieta foca na qualidade dos nutrientes — priorizando azeite de oliva, vegetais, nozes e peixes — enquanto minimiza agressores metabólicos diretos, como açúcares líquidos (frutose), carnes processadas e alimentos ultraprocessados Essa dieta é muito restritiva? Muitos temem que a adesão à dieta mediterrânea signifique restrições severas. No entanto, não se trata de uma dieta rigorosa, mas de uma mudança no padrão alimentar. Como falei acima, o benefício vai além da perda de peso. O objetivo é incorporar gradualmente elementos da dieta mediterrânea em sua rotina, sem necessidade de mudanças radicais, tornando o processo mais sustentável. Perder peso faz parte do tratamento da esteatose hepática, mas o benefício dessa dieta é um fator A MAIS na melhora, independente de alcançar a perda de peso. O que preciso cortar nessa dieta? bebidas açucaradas; ultraprocessados; excesso de açúcar; excesso de álcool. Não é um alimento isolado que causa ou trata a esteatose. O padrão alimentar é muito mais importante do que um único ingrediente. Existem suplementos que melhoram gordura no fígado? Muitos pacientes, ao receberem o diagnóstico de gordura no fígado, procuram suplementos, vitaminas ou chás com a promessa de “limpar” o fígado. Mas é importante entender: nenhum suplemento substitui o tratamento principal da esteatose hepática, que envolve alimentação, atividade física, perda de peso quando indicada e controle de fatores metabólicos, como diabetes, colesterol e triglicerídeos. O café, por exemplo, é um dos alimentos mais estudados na saúde do fígado. O consumo regular de café, especialmente sem açúcar, está associado a menor risco de fibrose hepática e algumas complicações do fígado. Pode ser o café com ou sem cafeína e os estudos mostram que 3 xícaras ao dia seria a quantidade ideal. Porém, ele deve ser ajustado à tolerância individual, especialmente em pessoas com refluxo, ansiedade, insônia ou palpitações. O ômega-3 pode ser útil em alguns pacientes, principalmente quando há triglicerídeos elevados. No entanto, ele não deve ser visto como tratamento isolado para gordura no fígado. Sua indicação precisa considerar o perfil metabólico de cada pessoa. Vitaminas e antioxidantes também não devem ser usados de forma indiscriminada. Em alguns casos específicos, podem ter indicação médica, mas o uso por conta própria pode gerar excesso, interações ou uma falsa sensação de segurança. Já os chamados “chás detox” merecem ainda mais cuidado. Até o momento, não existe evidência de que eles eliminem gordura do fígado. Além disso, produtos naturais também podem causar efeitos adversos e, em alguns casos, lesão hepática. Por isso, antes de iniciar qualquer suplemento, o mais seguro é entender a causa da esteatose, avaliar exames, identificar riscos associados e definir uma estratégia individualizada. No tratamento da gordura no fígado, o mais importante não é encontrar uma fórmula pronta, mas construir um plano que faça sentido para a sua saúde e para a sua rotina. Como eu aplico isso na prática com pacientes Na prática, não se trata de entregar uma dieta pronta. Na consulta, procuro entender como é a rotina alimentar do paciente, quais são os principais pontos de desorganização e quais mudanças são realmente possíveis naquele momento. A partir disso, organizamos metas progressivas, adaptadas à realidade de cada pessoa. O objetivo não é uma mudança radical, mas um processo que o paciente consiga sustentar ao longo do tempo. Uma dieta com restrição de calorias pode ser necessária e prescrita por nutricionista, para alcançar a meta de perda de peso orientada no tratamento da gordura no fígado. Como começar hoje Se você recebeu o diagnóstico de gordura no fígado, três mudanças costumam trazer mais impacto do que tentar transformar toda a alimentação de uma só vez: troque refrigerantes e bebidas açucaradas por água ou café sem açúcar; aumente o consumo de verduras e legumes nas principais refeições; utilize azeite de oliva para temperar as refeições no lugar de outras gorduras. Não é necessário buscar a perfeição desde o primeiro dia. O mais importante é construir um padrão alimentar que possa ser mantido no longo prazo. Conclusão A melhor dieta para quem tem gordura no fígado não é a mais restritiva. É aquela baseada em evidências, adaptada à sua rotina e que pode ser mantida ao longo do tempo. Pequenas mudanças sustentadas costumam trazer resultados muito maiores do que grandes mudanças que duram apenas algumas semanas. Perguntas frequentes Qual é a melhor dieta para quem tem gordura no fígado? Atualmente, a dieta mediterrânea é o padrão alimentar com maior nível de evidência científica para pacientes com esteatose hepática. Ela prioriza alimentos naturais, azeite de oliva, frutas, verduras, legumes, grãos integrais e peixes, além de reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e açúcares. A dieta mediterrânea melhora a gordura no fígado mesmo sem emagrecer? Sim. Estudos mostram que esse padrão alimentar pode reduzir a gordura no fígado e melhorar parâmetros metabólicos mesmo quando a perda de peso é pequena. Ainda assim, quando há sobrepeso ou obesidade, emagrecer continua sendo uma parte importante do tratamento. Preciso cortar completamente carboidratos? Não. O mais importante é priorizar carboidratos de melhor qualidade, como arroz integral, batata e outros alimentos in natura, reduzindo o consumo de bebidas açucaradas, doces e alimentos ultraprocessados. Posso comer frutas se tenho gordura no fígado? Sim. As frutas fazem parte da dieta mediterrânea e podem ser consumidas normalmente. O problema não são as frutas, mas o consumo excessivo de açúcar adicionado e bebidas adoçadas. Existe algum suplemento que elimine a gordura no fígado? Não. Até o momento, nenhum suplemento demonstrou substituir os benefícios da alimentação saudável, da atividade física e da perda de peso quando indicada.
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