Refluxo Gastroesofágico: você sabe o que deve ou não deve comer?

Ana Beatriz Sacerdote • October 17, 2024

Se você tem sintomas de refluxo ou gastrite, veja aqui o que comer e o que evitar

Os alimentos que favorecem e/ ou pioram os sintomas do refluxo gastroesofágico ou gastrite podem variar de uma pessoa para outra, não existe uma dieta única. O principal é manter uma dieta balanceada, sendo importante priorizar frutas, vegetais, leguminosas, cereais integrais, como arroz integral ou macarrão integral, e proteínas magras, como queijos brancos, peixes brancos, ovos ou frango.


A dieta é um ponto muito importante e muito pessoal na hora de tratar refluxo. Já vi pessoas perdendo peso de forma não saudável por dietas muito restritivas. Ou ficando ansiosas e deprimidas por ter que eliminar tudo que dava prazer na dieta. Existem alimentos que em teoria podem piorar os sintomas de refluxo, mas que na prática são diferentes para cada pessoa. Os alimentos que favorecem e/ ou pioram os sintomas do refluxo gastroesofágico ou gastrite podem variar de uma pessoa para outra, não existe uma dieta única. O principal é manter uma dieta balanceada, sendo importante priorizar frutas, vegetais, leguminosas, cereais integrais, como arroz integral ou macarrão integral, e proteínas magras, como queijos brancos, peixes brancos, ovos ou frango.


 Para o tratamento do refluxo gastroesofágico, não é obrigatório eliminar TODOS os alimentos que dizem por aí. O correto é fazer uma eliminação SELETIVA de certos alimentos que você perceba que PIORAM seus sintomas, ou que você se sinta melhor quando deixa de comer.


Se você quiser ler mais sobre outras medidas para melhorar seu refluxo, temos uma outra postagem aqui!


Os alimentos que podem piorar os sintomas e devem ser observados são:

  • Embutidos, como salsichas, mortadela, bacon, salame e presunto;
  • Óleos e frituras em geral, como batata frita, banha, manteiga, margarina e atum em óleo;
  • Alimentos industrializados ricos em gordura e açúcares, como croissant, biscoitos, bolos e bolachas;
  • Produtos lácteos com mais de 1% de gordura, como leite integral ou semidesnatado, iogurte integral e queijos amarelos;
  • Molhos, como ketchup, maionese, aioli e caesar;
  • Produtos congelados e pré-cozidos, como lasanha congelada, nuggets, pizzas e carne de hambúrguer;
  • Alimentos com cafeína, como café, chá preto, chá verde, chá mate, refrigerantes de cola, bebidas energéticas e chocolate;
  • Bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, como vinho e a cerveja;
  • Bebidas gaseificadas, como os refrigerantes e a água com gás;
  • Hortelã e produtos com sabor de hortelã;
  • Pimenta, molhos picantes e temperos prontos, como caldo de carne ou frango.


Os alimentos ricos em gordura fazem com que a digestão seja muito mais lenta, atrasando o esvaziamento gástrico, aumentando a produção de ácido e a probabilidade de refluxo. Alguns alimentos também podem atrapalhar o funcionamento do esfíncter esofageano inferior (a "válvula" do nosso corpo que impede o refluxo de acontecer), como chocolate e alimentos ricos em cafeína.


Os alimentos picantes e temperos prontos podem ser irritantes da mucosa do estômago e favorecem o aumento da acidez, assim como cafeína, hortelã e as bebidas alcoólicas. No caso das bebidas gaseificadas, acontece um aumento da pressão dentro do estômago, favorecendo a saída do conteúdo gástrico para fora do estômago.


Preste atenção no que você come e nos seus sintomas, para tentar perceber quais alimentos são piores pra você. Tente relembrar se algum deles te faz piorar. Se perceber que algum alimento piora ou você estiver na dúvida, suspenda por no mínimo duas semanas. Se perceber que o alimento não piora os seus sintomas e você não consegue viver sem esse alimento, mantenha e observe, junto com as outras medidas para tratar refluxo pode ser que você melhore sem precisar eliminá-los da sua dieta mas seja sincero com você mesmo! 


Um estudo com mais de 40 mil mulheres evidenciou que aquelas que ingeriam mais de 6 doses por dia de café, refrigerante ou chá, tinham mais sintomas que as que não ingeriam esses alimentos. O consumo de leite, água e suco não piorou os sintomas das participantes. Parece óbvio e nada de novo né? Mas o principal desse estudo foi o fato de que naquelas pacientes com sintomas, a troca de duas doses por dia do café, refrigerante ou chá por água, leite ou suco já foram capazes de reduzir os sintomas. O que mostra que às vezes basta reduzir esses alimentos que podem favorecer o refluxo sem eliminar totalmente.  Não estou aqui querendo incentivar a manutenção de hábitos alimentares pouco saudáveis. Os refrigerantes não acrescentam nada nutricionalmente na vida de uma pessoa. Porém cada pessoa é única, e antes de mudar uma coisa tão importante quanto a sua dieta, é preciso entender se isso realmente vai trazer algum benefício.


E os sucos de frutas cítricas?

Apesar da grande controvérsia, também não há consenso. Como todos os alimentos, inclusive aqueles que não listei aqui, tudo vai depender do seu sintoma e de como você se sente comendo aquilo. Se piorar suspender, se não piorar, observar. Eu pioro com suco de abacaxi. Conheço gente que piora com suco de goiaba. Somos diferentes.


E bebida alcoólica?

Bebidas alcoólicas eu sugiro que você realmente tente suspender ou reduzir. Também há controvérsia nas evidências mas vou explicar porque oriento: além do efeito direto que pode ter em piorar seu refluxo, quando a gente bebe, acaba se alimentando pior (os velhos petiscos de bar). Geralmente são muito temperados e gordurosos, uma combinação que pode não ser das melhores. É temporário, e vai te ajudar a melhorar mais rápido! Aproveite esse tempo sem o álcool para entender melhor o papel dele na sua vida, se o seu consumo é saudável ou está acima do que se considera “saudável” apesar de que cada dia mais a ciência caminha para a comprovação de que não existe um limite mínimo saudável... 

Certo, algumas comidas podem piorar o refluxo, mas existe alguma comida que ajuda a MELHORAR o refluxo? Os estudos mostram que dietas ricas em FIBRAS ajudam a melhorar o refluxo e reduzir os seus sintomas! 


Os alimentos que devem ser incluídos na dieta são:

  • Frutas frescas, como maçã, pêssego, pêra, banana, melão, melancia, morango, uva, amora e manga;
  • Vegetais frescos, como cenoura, abobrinha, espinafre, acelga, alface e rúcula;
  • Carboidratos, como arroz, macarrão, batata, batata doce e pão, de preferência os cereais integrais;
  • Proteínas baixas em gordura, como frango sem pele, assim como peixes brancos e ovos. No caso das carnes vermelhas, é importante escolher os cortes com menos gordura e retirar as gorduras visíveis;
  • Produtos lácteos e derivados sem gordura/ desnatados, dando preferência ao consumo de queijos brancos, como ricota, requeijão ou cottage baixo em gordura;
  • Gorduras boas, como o azeite de oliva em pequenas porções;


Se você quiser ler mais sobre outras medidas para melhorar seu refluxo, temos uma outra postagem aqui!  O refluxo gastroesofágico é uma doença que responde muito bem à implementação de certos hábitos, como atividade física, dieta rica em frutas e vegetais, cessação do tabagismo. Muitas doenças (como por exemplo a gordura no fígado ) respondem bem ao que chamamos de Mudanças do Estilo de Vida.


Marque uma consulta e entenda melhor os impactos dessas mudanças na sua saúde e como você pode fazê-las.

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By Ana Beatriz Sacerdote July 30, 2026
Introdução Receber o diagnóstico de gordura no fígado costuma ser seguido da mesma dúvida: "O que eu posso comer?" Na maioria das vezes, a orientação é apenas "melhore sua alimentação". Mas, na prática, poucos pacientes sabem exatamente o que isso significa. Qual o papel da alimentação na gordura no fígado? A alimentação é um dos pilares do tratamento da esteatose hepática. Ela influencia diretamente a resistência à insulina, o acúmulo de gordura no fígado e o risco de progressão da doença. Embora perder peso seja importante, a qualidade da alimentação também faz diferença. Existe uma dieta específica para quem tem gordura no fígado? Não existe uma única dieta capaz de tratar a gordura no fígado. A perda de peso continua sendo a principal estratégia terapêutica e pode ser alcançada com diferentes padrões alimentares. Entretanto, entre todas as dietas estudadas, uma delas reúne o maior número de evidências científicas para pacientes com esteatose hepática: a dieta mediterrânea. O que é a dieta mediterrânea? A dieta mediterrânea é um padrão alimentar tradicional de países banhados pelo Mar Mediterrâneo. Ela não é uma dieta restritiva, mas um padrão alimentar associado a diversos benefícios metabólicos, através do consumo de alimentos naturais e integrais. Essa abordagem enfatiza a ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis, proporcionando não apenas benefícios para o fígado, mas também para a saúde em geral. Apesar do nome, a dieta mediterrânea não depende de alimentos importados nem de receitas típicas da Europa. Grande parte dos seus princípios pode ser aplicada utilizando alimentos comuns da alimentação brasileira. Como seguir a dieta mediterrânea no dia a dia? Na prática, a dieta mediterrânea prioriza: vegetais em todas as refeições; frutas diariamente, em torno de 3 vezes ao dia azeite de oliva como principal gordura; Peixes são consumidos com mais frequência. Grãos integrais são preferidos. Redução do consumo de alimentos ultraprocessados e açúcares. Consumo regular de nozes e castanhas Porque a dieta mediterrânea ajuda quem tem gordura no fígado? Os benefícios da Dieta Mediterrânea na gordura no fígado vão significativamente além da perda de peso. De acordo com os principais consensos e diretrizes em hepatologia, esse padrão alimentar demonstrou repetidamente proporcionar benefícios à saúde hepática e cardiovascular mesmo na ausência de redução ponderal. Os principais benefícios que transcendem a balança incluem: Proteção Cardiovascular: Como as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pacientes com esteatose, a Dieta Mediterrânea é estratégica por reduzir o risco de eventos fatais e não fatais. Redução da Gordura Hepática e Fibrose: O padrão é eficaz na redução do conteúdo lipídico do fígado e está associado a um menor risco de progressão para fibrose avançada e cirrose. Prevenção de Câncer: A melhor adesão a esse padrão alimentar está ligada a um menor risco de desenvolver Carcinoma Hepatocelular (CHC) e outros cânceres extra-hepáticos. Melhora Metabólica: Mesmo sem perda de peso, a dieta melhora a sensibilidade à insulina e ajuda no controle de comorbidades como o Diabetes Tipo 2 e a dislipidemia. Redução da Mortalidade: Estudos observacionais mostram que este padrão reduz a mortalidade por todas as causas em adultos com gordura no fígado. Sustentabilidade: Comparada a dietas de restrição calórica severa ou dietas cetogênicas, a Dieta Mediterrânea é considerada mais fácil de ser mantida a longo prazo pelo paciente, o que é fundamental para o manejo de uma doença crônica. Esses benefícios ocorrem porque a dieta foca na qualidade dos nutrientes — priorizando azeite de oliva, vegetais, nozes e peixes — enquanto minimiza agressores metabólicos diretos, como açúcares líquidos (frutose), carnes processadas e alimentos ultraprocessados Essa dieta é muito restritiva? Muitos temem que a adesão à dieta mediterrânea signifique restrições severas. No entanto, não se trata de uma dieta rigorosa, mas de uma mudança no padrão alimentar. Como falei acima, o benefício vai além da perda de peso. O objetivo é incorporar gradualmente elementos da dieta mediterrânea em sua rotina, sem necessidade de mudanças radicais, tornando o processo mais sustentável. Perder peso faz parte do tratamento da esteatose hepática, mas o benefício dessa dieta é um fator A MAIS na melhora, independente de alcançar a perda de peso. O que preciso cortar nessa dieta? bebidas açucaradas; ultraprocessados; excesso de açúcar; excesso de álcool. Não é um alimento isolado que causa ou trata a esteatose. O padrão alimentar é muito mais importante do que um único ingrediente. Existem suplementos que melhoram gordura no fígado? Muitos pacientes, ao receberem o diagnóstico de gordura no fígado, procuram suplementos, vitaminas ou chás com a promessa de “limpar” o fígado. Mas é importante entender: nenhum suplemento substitui o tratamento principal da esteatose hepática, que envolve alimentação, atividade física, perda de peso quando indicada e controle de fatores metabólicos, como diabetes, colesterol e triglicerídeos. O café, por exemplo, é um dos alimentos mais estudados na saúde do fígado. O consumo regular de café, especialmente sem açúcar, está associado a menor risco de fibrose hepática e algumas complicações do fígado. Pode ser o café com ou sem cafeína e os estudos mostram que 3 xícaras ao dia seria a quantidade ideal. Porém, ele deve ser ajustado à tolerância individual, especialmente em pessoas com refluxo, ansiedade, insônia ou palpitações. O ômega-3 pode ser útil em alguns pacientes, principalmente quando há triglicerídeos elevados. No entanto, ele não deve ser visto como tratamento isolado para gordura no fígado. Sua indicação precisa considerar o perfil metabólico de cada pessoa. Vitaminas e antioxidantes também não devem ser usados de forma indiscriminada. Em alguns casos específicos, podem ter indicação médica, mas o uso por conta própria pode gerar excesso, interações ou uma falsa sensação de segurança. Já os chamados “chás detox” merecem ainda mais cuidado. Até o momento, não existe evidência de que eles eliminem gordura do fígado. Além disso, produtos naturais também podem causar efeitos adversos e, em alguns casos, lesão hepática. Por isso, antes de iniciar qualquer suplemento, o mais seguro é entender a causa da esteatose, avaliar exames, identificar riscos associados e definir uma estratégia individualizada. No tratamento da gordura no fígado, o mais importante não é encontrar uma fórmula pronta, mas construir um plano que faça sentido para a sua saúde e para a sua rotina. Como eu aplico isso na prática com pacientes Na prática, não se trata de entregar uma dieta pronta. Na consulta, procuro entender como é a rotina alimentar do paciente, quais são os principais pontos de desorganização e quais mudanças são realmente possíveis naquele momento. A partir disso, organizamos metas progressivas, adaptadas à realidade de cada pessoa. O objetivo não é uma mudança radical, mas um processo que o paciente consiga sustentar ao longo do tempo. Uma dieta com restrição de calorias pode ser necessária e prescrita por nutricionista, para alcançar a meta de perda de peso orientada no tratamento da gordura no fígado. Como começar hoje Se você recebeu o diagnóstico de gordura no fígado, três mudanças costumam trazer mais impacto do que tentar transformar toda a alimentação de uma só vez: troque refrigerantes e bebidas açucaradas por água ou café sem açúcar; aumente o consumo de verduras e legumes nas principais refeições; utilize azeite de oliva para temperar as refeições no lugar de outras gorduras. Não é necessário buscar a perfeição desde o primeiro dia. O mais importante é construir um padrão alimentar que possa ser mantido no longo prazo. Conclusão A melhor dieta para quem tem gordura no fígado não é a mais restritiva. É aquela baseada em evidências, adaptada à sua rotina e que pode ser mantida ao longo do tempo. Pequenas mudanças sustentadas costumam trazer resultados muito maiores do que grandes mudanças que duram apenas algumas semanas. Perguntas frequentes Qual é a melhor dieta para quem tem gordura no fígado? Atualmente, a dieta mediterrânea é o padrão alimentar com maior nível de evidência científica para pacientes com esteatose hepática. Ela prioriza alimentos naturais, azeite de oliva, frutas, verduras, legumes, grãos integrais e peixes, além de reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e açúcares. A dieta mediterrânea melhora a gordura no fígado mesmo sem emagrecer? Sim. Estudos mostram que esse padrão alimentar pode reduzir a gordura no fígado e melhorar parâmetros metabólicos mesmo quando a perda de peso é pequena. Ainda assim, quando há sobrepeso ou obesidade, emagrecer continua sendo uma parte importante do tratamento. Preciso cortar completamente carboidratos? Não. O mais importante é priorizar carboidratos de melhor qualidade, como arroz integral, batata e outros alimentos in natura, reduzindo o consumo de bebidas açucaradas, doces e alimentos ultraprocessados. Posso comer frutas se tenho gordura no fígado? Sim. As frutas fazem parte da dieta mediterrânea e podem ser consumidas normalmente. O problema não são as frutas, mas o consumo excessivo de açúcar adicionado e bebidas adoçadas. Existe algum suplemento que elimine a gordura no fígado? Não. Até o momento, nenhum suplemento demonstrou substituir os benefícios da alimentação saudável, da atividade física e da perda de peso quando indicada.
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